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A queda dos games de 1983

by onMay 2, 2014
 
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A história do “video game” tem uma capítulo obscuro,”a quebra do mercado de games de 1983[1]. A página final deste capitulo, foi há muito tempo enterrada, e foi recentemente encontrada no deserto junto a milhares de cartuchos de Atari. Durante muito tempo, os cartuchos no deserto eram tidos como uma lenda, mesmo com as noticias publicadas na impressa[2]. A história que se contava, era de um menino que viu os caminhões passarem e recebeu uma dica de um funcionário do aterro sanitário de onde estariam os jogos. Ele invadiu o local a noite e encontrou alguns jogos esmagados, mas ainda funcionando.

Até 83, a Atari soube manter o seu nome no topo das empresas de tecnologia, responsável por um mercado que chegou a alcançar o auge de 3.2 bilhões de dólares. A industria de jogos ainda começava, mas já fomentava uma bolha, em razão das  margens de lucros exorbitantes e a doutrina na questão autoral.

Até então, fabricar um jogo de vídeo game tinha um baixo custo de produção e um retorno milionário. Eram necessário dois ou três programadores para se realizar o jogo. O jogo era considerado um produto e não parte de um processo artístico e criativo de produção. Tal fato, fazia com que os criadores não recebesse créditos por suas criações.

Na época, percebendo o grande negocio que era fabricar um jogo, a Atari foi comprada pelo grupo Time Warner. A mudança de gestão da empresa fez com que seus fundadores perdessem voz. Coincidentemente, o processo de produção de jogos se tornou mais intenso. Neste momento, chego a concordar que os jogos não eram arte. Eram um produto feito por um programador em três meses para depois ser encaixotado e vendido. Não interessa a qualidade ou mesmo a criatividade do jogo. O importante era ter algo novo na prateleira.

Em desacordo com a nova diretiva da empresa, grandes designers de jogos saíram da Atari e fundaram a Activision. Ela foi responsável pelos melhores jogos de Atari, como River Raid, Enduro, Pitfall e, na minha opinião, o melhor jogo de Atari, Keystone Kapers. Ela também criou uma marca nos games. Em uma era sem Sprites, desenhar ícones, logotipos e números na tela eram coisas complicadas, mas todo o jogo da Activision tinha o seu logo dentro do jogo, algo raro na época e sinonimo de qualidade.

Selo de qualidade Nintendo

Selo de qualidade Nintendo

Os jogos da Atari, não chegavam a mesma qualidade de jogos de concorrentes como Konami (Frogger),  Exidy (Mouse Trap), Western Technologies (Q*Bert) e até a Nintendo (Donkey Kong). A verdade, é que todos estavam lançando jogos para a plataforma mais popular do momento. A Time Warner não estava satisfeita com as empresas lucrando no seu gramado, e a disputa foi para nos tribais. Foi a primeira perda da Atari, que tinha as suas vendas de jogos em nível de competição com os jogos pornográficos da Mystique para Atari.

Com o tempo, pouquíssimo tempo, esses fatores levaram a saturação do mercado. Houve uma super oferta de jogos, a grande maioria ruim. A única certeza de um jogo bom era comprar aquele com a caixa diferenciada da Activision. O ponto decisivo, que caracteriza a quebra foi o lançamento do jogo E.T..

 

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O lançamento do jogo, repetia a receita de lançamentos licenciados anteriores da Atari. Assim eles lançaram Space Invaders da Taito, PacMan da Nanco e agora se preparavam para lançar um jogo não licenciado de outra produtora de jogos que havia feito sucesso nos fliperamas, mas licenciado de um estúdio de cinema. Era mais que uma estratégia de lançamento, era uma estratégia de marketing. O alcance que um jogo de fliperama tinha, era apenas do nicho que frequentava o fliperama, mas o jogo derivado de um filme, era algo novo.

A Atari gastou 23 milhões[3] na época só para assegurar os direitos do filme, fora os custos com marketing, produção e distribuição. Contudo, tempo é dinheiro, mas dinheiro não compra tempo. O pobre, Howard Scott Warshaw, programador do jogo, teve apenas cinco semanas e meia para desenvolver o jogo a tempo ao feriado de Natal. O resultado foi um desastre em uma indústria que já estava em colapso. A culpa solene recai sobre o E.T., mas diversos outros títulos da Atari eram devolvidos à época devido a baixa qualidade, E.T. apenas bateu o recorde de “voltar para casa”.

A Atari, nunca conseguiu repetir o sucesso inicial de seu primeiro VideoGame. O mercado de Games ficou receoso, muita gente perdeu dinheiro, em geral maioria, os que entraram no mercado no processo fabril de colocar jogo na prateleira. E.T. ganhou a notoriedade de ser um dos piores jogos já lançados.

Talvez hoje, o Armando Ortega, o menino da lenda que viu os caminhões, saiba encontrar o tempo que Howard Warshaw não fazer ao fazer E.T., foram 30 anos. Exatamente o tempo necessário para o jogo ser desenterrado como um tesouro.

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Curiosidades:

– A Activision chegou a fazer uma versão do jogo Ghostbusters para Atari baseado no filme oitentista “Os Caça Fantasmas”. Versões não muito diferentes do jogo foram lançadas com sucesso para NES e Master System, apesar do pessimo game design.

[1] http://en.wikipedia.org/wiki/Video_game_crash_of_1983

[2] http://www.nytimes.com/1983/09/28/business/atari-parts-are-dumped.html?scp=3&sq=atari&st=nyt

[3] http://kotaku.com/how-much-does-it-cost-to-make-a-big-video-game-1501413649

Para Saber Mais:

O Ricardo Bittencurt fez um post sobre o tema sob uma ótica:

http://ricbitpermanente.blogspot.com.br/2014/04/tem-gente-que-ainda-nao-acredita-nos.html